Autor: Beto Veiga (http://www.betoveiga.com/)
Uma das maiores preocupações que os pais têm atualmente diz
respeito à formação de um patrimônio para seus filhos. Embora este seja um
tópico relacionado com a questão do planejamento sucessório, de que falarei em
breve, acredito que há um certo equívoco com a forma como esta preocupação se
equaciona, em geral.
Certa vez, fui procurado por um pai, profissional liberal, cuja
renda mensal oscilava em torno de uns R$ 40.000,00. Ele me perguntou qual
montante precisaria acumular para “morrer tranquilo”. A partir daí, pedi que
ele me informasse sobre o que queria garantir para os filhos e começou a falar.
Contou-me que pagava a escola da neta e que uma das filhas já havia desistido
de vários cursos superiores que havia iniciado e, naquele momento, lhe pedia
que investisse num pequeno hotel em alguma cidade do nordeste.
Veredito: todo o dinheiro do mundo seria pouco para garantir uma
“morte tranquila”, porque o principal não havia sido feito. Ele, por um motivo
que pode ser diferente daquele de quem me lê nesse momento, não havia preparado
os filhos para a vida. Em vez disso, tratava de centralizar as decisões e de
dedicar as horas vagas a outras atividades que não um acompanhamento de perto
das atividades dos descendentes.
Vejo várias pessoas comentando que estão fazendo planos de
previdência para seus filhos, como se isso não fosse muito mais benéfico aos
bancos do que aos destinatários o recurso. Muito melhor do que um plano de
previdência, que acaba sendo uma forma de “lavar as mãos” com relação ao
futuro, pensando que aquele dinheiro é suficiente.
Hoje você pode gastar milhões de reais com apenas um clique em
um botão, imagine os filhos. Ir a uma festa, com ingresso barato, fica em torno
de uns R$ 80,00. Se o filho ainda não tiver uma boa educação, pode demandar uns
R$ 200,00 a R$ 250,00 para pagar por o que convencionou-se chamar de “área
VIP”. É fácil notar, portanto, que se o jovem rapaz estiver dependendo de você
e sair uma vez por semana, pode consumir de R$ 360 a R$ 1.000 por mês só com
isso.
Estamos indo de trás para frente, mas festinhas infantis custam
muito, quando o que a criança mais queria era brincar um pouco com seus amigos
e parentes. Ainda assim há aqueles que entendem necessário fazer festas
dispendiosas e gastam uma boa grana para satisfazer aquilo que, às vezes,
trata-se mais de uma carência pessoal do que uma vontade do filho.
Aí, todo dinheiro do mundo é pouco, porque sempre haverá algo em
que gastar para buscar a suposta felicidade. Assim, minha abordagem para isso é
outra. Em vez de comprar ou de juntar, ensine. Se não sabe ensinar, acompanhe.
O procedimento é o seguinte: você não precisa de plano de
previdência nenhum se seu filho entender os valores da vida de forma clara. Se
ele souber que o seu trabalho para prover alimento, moradia e vestuário, devem
ser valorizados, e não servirem apenas de satisfação aos interesses egoísticos
que todos tendemos a ter, inclusive nossos filhos.
Uma vez atingido este objetivo, o passo seguinte é dar o
exemplo. Seja austero com seu dinheiro e respeite o tempo que dedica ao
trabalho, limitando seus gastos a coisas que realmente tragam valor.
Agora, o mais trabalhoso: sente com seu filho e acompanhe na
realização das tarefas. Limite o uso de computador e jogos eletrônicos, focando
em atividades que proporcionem a ele crescimento intelectual e lhe agregue
valores. Se você mostrar para ele, ao contrário, que a novela ou qualquer outro
programa, televisivo ou não, tem mais valor do que suas tarefas escolares, pode
crer que estará indo no caminho contrário.
Pode ter certeza de que isso é muito mais difícil do que
depositar uma determinada quantia por mês na conta da criança. Tirar seu tempo
para acompanhar o desenvolvimento do seu filho, e a sua educação, é algo tão
nobre que são poucos os que praticam, mas os resultados são, em regra, bem
melhores do que daqueles que se preocupam apenas em acumular para eles.
Mais
fácil é gastar do que saber se virar na vida para conseguir o que se quer.
Ensinando os valores corretos e dotando seu filho de conhecimento e de
disposição para o trabalho, você pode “morrer tranquilo” sem deixar nenhum
tostão para ele, que nada lhe faltará.
Fonte:
http://www.betoveiga.com/log/index.php/2013/07/como-garantir-o-futuro-financeiro-do-seu-filho/
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